Texto traduzido:
No Brasil, um Deck no Rooftop Leva uma Casa de Montanha a Novos Patamares
Arquitetos Flavio Butti e Alice Martins constroem em um terreno íngreme com vistas
de tirar o fôlego para uma floresta de araucárias.
Texto por Kelly Dawson
Nilma Ribeiro e seu marido, Luiz Butti, estão felizes por viver em uma montanha conhecida por fontes. "Quando traduzido da língua dos povos nativos, ‘Serra da Mantiqueira’ significa ‘a montanha que chora’, devido às muitas fontes de água pura que emergem das encostas", diz Nilma.
"Nossas muitas ideias estavam flanando pela montanha, e precisávamos de alguém para trazê-las para a terra e transformá-las em realidade", diz Nilma, a proprietária. A casa concluída possui um jardim e um espaço de vida ao ar livre no nível superior.
De volta a 2013, o casal comprou cerca de 120 acres de terra no sudeste do Brasil, longe das cidades costeiras. "Está no meio desta floresta de altitude, em uma região montanhosa no sul do estado de Minas Gerais", diz Nilma. Na época, a terra era predominantemente composta por encostas primitivas de araucárias, mas o casal imaginava um retiro onde poderiam trocar seus compromissos em São Paulo por paz ininterrupta com seus dois filhos. "Construímos a primeira casa entre 2014 e 2015 com a AMFB, enfrentando todos os desafios que um projeto de construção neste local apresenta: logística dos materiais, fortes chuvas de verão e terreno acidentado", explica ela.
No deck de entrada, um casal de madeira artesanal dá as boas-vindas aos visitantes. O deck em forma de U circunda todo o nível inferior.
Eles usavam este refúgio principalmente nos finais de semana, dirigindo 120 milhas em cada sentido, até que a pandemia chegou e decidiram se estabelecer aqui em tempo integral. "Depois que nos mudamos para cá em 2020, vimos que ficar era possível", recorda Nilma. "Era um sonho viver nesta floresta, onde tudo o que podíamos ouvir eram os pássaros e a água correndo pelos riachos e cachoeiras."
Para maximizar a funcionalidade, o sofá modular fabricado no Brasil na sala de estar pode ser transformado em duas camas separadas para os hóspedes.
Uma grande lareira revestida com cimento pode ser usada nos meses de inverno e está cercada por janelas e portas de correr que deixam a vista entrar. "Adaptamos nosso trabalho e acabamentos durante a construção de acordo com as possibilidades apresentadas pela mão de obra local", diz Flavio.
O deck tem vista para um vale e possui uma mesa ampla que pode receber a grande família dos proprietários.
Mas a casa de férias, como estava, não era suficiente. O casal precisava de mais espaço para receber seus filhos adultos e seus parceiros, além de visitas dos cinco irmãos de Nilma e suas famílias. Eles queriam um escritório flexível com uma clara conexão com o exterior, e sua amada golden retriever, Alegria, também precisava se sentir bem-vinda. Com todas essas necessidades em mente, Nilma e Luiz decidiram que o melhor caminho seria desenvolver um segundo local.
"Propusemos grandes aberturas que podem se abrir amplamente para conectar o interior e o exterior", diz Flavio. "A ideia era trazer a máxima luz externa para que a iluminação artificial fosse necessária apenas à noite."
"Diferentemente da primeira casa, que está bem no meio da floresta, a nova casa ficaria de frente para o vale com uma vista maravilhosa da pequena cidade de Luminosa e do maior observatório astronômico do Brasil", diz Nilma. Eles contrataram os arquitetos Flavio Butti (irmão de Luiz) e Alice Martins da AMFB, a empresa que supervisionou a construção da casa na floresta, para dar continuidade a essa nova ideia. "Recorremos àqueles que entenderam nossos sonhos há onze anos e que também conheciam os desafios", diz Nilma.
Uma cozinha em forma de U está localizada atrás da área de estar, perto do deck.
"Na parede atrás do fogão há um painel de azulejos da Oficina Brennand, para trazer brasilidade a este espaço", diz Flavio.
AMFB projetou uma casa de dois quartos e dois banheiros, observando que seu espaço de aproximadamente 100 metros quadrados deveria satisfazer as necessidades diárias enquanto celebrava sua localização extraordinária. "Versatilidade foi a palavra-chave", diz Flavio. "A ideia era executar um projeto com uma identidade própria, totalmente inserido e em harmonia com seu lugar, trazendo brasilidade com design e arte."
O escritório tem uma mesa que pode ser rebatida e um sofá que pode se transformar em uma cama, para hóspedes ocasionais.
Um grande deck envolve o nível inferior, que possui uma sala de estar arejada com amplas portas de correr, madeira cedrinho rosa no teto e uma pequena área de jantar que apoia um ambiente mais generoso do lado de fora. A cozinha está localizada atrás desse espaço comum, logo ao lado do deck, enquanto o quarto principal e o escritório estão logo ao redor. A área de trabalho pode ser convertida em um segundo quarto, e ambos os espaços têm o conforto de pisos aquecidos. Mas talvez o aspecto mais marcante da casa esteja no segundo nível, onde um deck e jardim na cobertura oferecem vistas ininterruptas da floresta.
O único banheiro da casa apresenta a mesma paleta de madeira escura que o resto da propriedade.
Uma parede de cimento no quarto principal contrasta com as árvores verdes para onde a cama faceia.
"O nível superior maximiza a vista e a área de drenagem, enquanto tem a mínima intervenção no terreno", diz Flavio. "O acesso é feito por uma passarela metálica, que é alcançada através de uma inclinação natural do terreno."
A empreitada de dois anos foi concluída no início deste ano, e o casal já recebeu grandes reuniões de família lá. Nilma chamou sua primeira casa na floresta de paraíso no início—e agora ela se sente completa. "Este projeto entende seu papel na paisagem e se mimetiza com o meio ambiente em forma e cor", diz ela.
Móveis altamente duráveis formam uma área de estar no deck superior, que frequentemente acomoda festas ao pôr do sol.